é engraçado como as vezes o preconceito se desconstroi diante do convívio com o objeto rejeitado. As pessoas que se desvestem de qualquer preconceito antes mesmo de se colocarem diante do novo são fascinantes. Antes, acreditava que pessoas sem preconceitos eram inatos ingênuos e estavam condenados a sofrer pela falta de um preconceito mínimo. Depois descubro que a ingenuidade de fato caracteriza o não preconceituoso e que a desconfiança se trata de uma atribuição distinta e que, no meu conceito, continua sendo um dos mais importantes vestígios da materialização do sexto sentido.
Depois de algumas experiências práticas descobri que o jeito mais fácil de perder o preconceito é manifestando interesse pelo que é desprezado. Quando o objeto desprezado começa a ocupar uma parcela dos pensamentos diários duas conclusões surgem. A mais natural é a confirmação do preconceito que pode se tornar uma aversão repulsiva. A surpresa maior contudo é quando ocorre o oposto, descobre-se que o preconceito inicial era na verdade a percepção de informações incompletas, na maioria obtida de outros preconceituosos, somado à resposta diante do desconhecido.
O ingênuo despreconceituoso talvez visualize esse raciocínio de modo inverso e tal perspectiva talvez permita saborear o prazer da descoberta sem desperdiçar a energia inicial de vencer a repulsa.
Estou aprendendo a ver o caminho do meio. Hoje meus preconceitos sobre a realidade em que viverei nos próximos meses estão dando azo à tolerância. Quem sabe o exercício dessa experiência me despertará amanhã uma paixão nova.
Tuesday, February 12, 2008
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